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A música também tem fins terapêuticos

Usar instrumentos musicais e sons para desenvolver competências neuropsicológicas é uma das práticas da musicoterapia.

01/06/2018   publicado por: edeas

Usar instrumentos musicais e sons para desenvolver competências neuropsicológicas é uma das práticas da musicoterapia. Nos cuidados paliativos, promove o relaxamento e diminui a sensação de dor.

Ter a música presente do princípio ao fim da vida só pode fazer bem. Se houver necessidades especiais, mais ainda. E não se está a falar em criar músicos virtuosos, como explica a musicoterapeuta Marisa Raposo, de Portugal: “Não há objetivos de aprendizagem musical nem de performance musical para um ouvinte, mas sim terapêuticos.” E descreve: “Nas sessões de musicoterapia, o utente participa ativamente com os instrumentos musicais para desenvolver diversas competências neuropsicológicas.”

O que faz um musicoterapeuta?

Quisemos saber, na prática, o que faz um musicoterapeuta. Resposta: “No contexto da saúde, o musicoterapeuta é o profissional que utiliza a música como veículo para ajudar o utente a manter, melhorar e/ou restabelecer funções cognitivas, comunicativas, emocionais e sociais, utilizando as experiências musicais como uma forma de mediação e não como a finalidade da intervenção.”

Não há um momento certo e único para se iniciar uma terapia desta natureza, já que “a musicoterapia é uma terapia complementar que integra o ser humano na sua amplitude, ou seja, nas dimensões bio-psico-social”. Assim sendo, “pode intervir em todo o ciclo de vida”. A doutoranda em Ciências da Cognição e da Linguagem pela Universidade Católica Portuguesa dá alguns exemplos relevantes e comprovados por estudos científicos já desenvolvidos.

Poderá haver um processo musicoterapêutico logo na maternidade, “ao favorecer a vinculação mãe/bebê”; na neonatologia, “para reduzir a ansiedade dos bebês prematuros e estabilizar padrões fisiológicos como o ritmo cardíaco e respiratório, sincronizando-os com a música adaptada pelo musicoterapeuta”; no acompanhamento de crianças com perturbações do neurodesenvolvimento, “para integração sensorial, melhorias no processamento auditivo, treino de memória com a utilização de canções e de competências não-verbais que antecedem o desenvolvimento da linguagem”; na pedopsiquiatria e psiquiatria, “com a expressão emocional através da música, que poderá ser um grande auxílio para pessoas com dificuldades em comunicar na forma verbal e poderão utilizar com sucesso a música como veículo de expressão emocional não-verbal”; em psicogeriatria, “pois as pessoas com demência poderão promover competências de interação social e despertar memórias afetivas associadas a repertório musical significativo para si” e, finalmente, em oncologia e cuidados paliativos, “para promover relaxamento, diminuir a sensação de dor, proporcionar uma revisão da história através da música e, em qualquer contexto de saúde, melhorar a qualidade de vida do utente”.

RITA PIMENTA

27 de Maio de 2018, 16:29

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